O
Funk enquanto vanguarda.
Humildemente acredito que o funk seja um estilo de música
particularmente detestável, canto desafinado por excelência , um martelar
constantes de sons e cacofonias repetitivas. Enfim, à parte de meus
preconceitos, eu faço uma pequena colocação( quiçá uma advertência!) : o que se
pensa e se diz sobre o funk hoje em dia é o mesmo que um dia foi dito da MPB e
do samba. A elite pseudo-intelecutal pequeno burguesa( na qual me incluo e
presumo que o leitor também) no inicio do século passado marginalizava o samba,
como no Norte marginalizaram o rap e também o jazz.
Agora,
marginaliza-se o funk. Devemos nos ater ás devidas proporções, pois se no caso
do samba primeiro se agradou os intelectuais ( Semana de Arte moderna de 1922), com o funk, acontece o contrário. O Mercado
aliado a certa benevolência de esquerda( também burguesa) fez do funk um
produto vendável e multiplicável em meio à alienação adolescente da classe
média e ligeiramente alta, mantendo-se indigesto aos gostos daqueles que se
presumem( e são presumidos) pensantes. O que é lamentável, que pela aliança
nefasta com o Mercado e a classe média, qualquer elemento interessante que
povoava o funk em seu inicio,se perdeu em proibidões. Já com o samba, muito foi preservado e o
que se deteriorou em excesso, felizmente recebeu o nome de pagode.
Pelo
que foi dito, podemos perceber que os dois movimentos tendem ao mesmo ponto,
apesar das diferentes superfícies sociais de contágio; assim, não se
surpreendam se um dia Valesca tocar no Municipal, ou se Catra for considerado o
Cartola da década de 2000. As mesmas
elites da cultura, que hoje torcem o nariz, estarão requebrando até o chão em vernissages sofisticadas, em bailes no
Palace, e shows no Pão de Açúcar. Quanto a isso não cabe nenhum julgamento; cabe
apenas uma pequena risada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário