segunda-feira, 20 de maio de 2013

X - O Funk enquanto vanguarda


 O Funk enquanto vanguarda.

            Humildemente acredito que o funk seja um estilo de música particularmente detestável, canto desafinado por excelência , um martelar constantes de sons e cacofonias repetitivas. Enfim, à parte de meus preconceitos, eu faço uma pequena colocação( quiçá uma advertência!) : o que se pensa e se diz sobre o funk hoje em dia é o mesmo que um dia foi dito da MPB e do samba. A elite pseudo-intelecutal pequeno burguesa( na qual me incluo e presumo que o leitor também) no inicio do século passado marginalizava o samba, como no Norte marginalizaram o rap e também o jazz.
Agora, marginaliza-se o funk. Devemos nos ater ás devidas proporções, pois se no caso do samba primeiro se agradou os intelectuais ( Semana de Arte moderna de 1922),  com o funk, acontece o contrário. O Mercado aliado a certa benevolência de esquerda( também burguesa) fez do funk um produto vendável e multiplicável em meio à alienação adolescente da classe média e ligeiramente alta, mantendo-se indigesto aos gostos daqueles que se presumem( e são presumidos) pensantes. O que é lamentável, que pela aliança nefasta com o Mercado e a classe média, qualquer elemento interessante que povoava o funk em seu inicio,se perdeu em proibidões.  Já com o samba, muito foi preservado e o que se deteriorou em excesso, felizmente recebeu o nome de pagode. 
Pelo que foi dito, podemos perceber que os dois movimentos tendem ao mesmo ponto, apesar das diferentes superfícies sociais de contágio; assim, não se surpreendam se um dia Valesca tocar no Municipal, ou se Catra for considerado o Cartola da década de 2000.  As mesmas elites da cultura, que hoje torcem o nariz, estarão requebrando até o chão em vernissages sofisticadas, em bailes no Palace, e shows no Pão de Açúcar. Quanto a isso não cabe nenhum julgamento; cabe apenas uma pequena risada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário